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Mayra Cardi e sua influência midiática

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POR: Mariana Munis

Nas últimas semanas, fui fortemente impactada com uma postagem amplamente criticada da Influenciadora Digital e ex-BBB, Mayra Cardi, a qual praticava jejum por sete dias completos, tomando apenas água. Quem me abriu os olhos sobre essa comunicação foi a influenciadora Priscilla Rezende, que faz um trabalho de utilidade pública nas mídias sociais, desmascarando influencers que disseminam fake news, práticas duvidosas, sem respaldo científico, apelidados carinhosamente de desinfluencers.

O problema não é Mayra Cardi fazer seu jejum, como prática espiritual e religiosa (ela alega isso nas postagens), mas sim o fato de falar sobre uma prática para sua audiência, sem embasamento teórico, sem chamar um especialista da área, com pouca responsabilidade e comprovação científica para abordagem do tema (a influencer possui seis milhões de seguidores no Instagram).

E é exatamente isso que vem me incomodando em uma leva de influenciadores digitais: a falta de responsabilidade que abordam alguns assuntos com a sua audiência, visando o lucro acima de tudo, muitas vezes sem se preocuparem com a consequência dos seus atos.

Nada contra a pessoa Mayra Cardi, não a conheço pessoalmente, mas estou apontando aqui seus atos falhos, os quais são muito perigosos, afinal, Mayra influencia milhões de pessoas.

E não é a primeira vez que ela erra: Mayra não possui em nenhuma graduação na área da saúde e, ainda por cima, vende um programa de emagrecimento.

Em muitas de suas falas nas redes sociais, Mayra sempre enaltece a magreza, acima da saúde, incentivando, inconscientemente, em sua audiência as práticas que podem vir a desencadear transtornos alimentares. Portanto, olhem a responsabilidade que influenciadores digitais possuem na vida das pessoas: a palavra tem muito poder.

Eu me lembro bem que os criadores de conteúdo (creators), quando surgiram, ganharam força por serem pessoas comuns, afinal, estávamos cansados de um mundo inatingível esbanjado pelas celebridades, no início do século XXI. Porém, ao longo da segunda década desse mesmo século, vivenciamos alguns creators ganharem força e dinheiro, onde pessoas que antes tinham uma vida anônima, passaram a compartilhar o mesmo estilo de vida das celebridades do começo do século, antes criticado, porém, com uma roupagem muito perigosa inconscientemente (a audiência pode pensar “se ele faz assim, eu também posso fazer, pois ele saiu do mesmo lugar que eu”).

Eu sempre falo em minhas aulas e mídias sociais sobre marketing voltado ao século XXI, onde o conceito atual de marketing é satisfazer necessidades e desejos de todos os stakeholders (parceiros de negócio), por meio de produtos e serviços, entregando valor superior ao do concorrente.

Ou seja, de nada adianta fazermos um produto que se diz milagroso e maravilhoso, sendo que este prejudica o meio ambiente, faz mal à saúde das pessoas, e o pior de tudo, distorce o conceito de beleza para sociedade, ao enaltecer um único padrão de corpo (o magro), fazendo com que pessoas botem em risco suas vidas, em nome de um padrão estético inalcançável.

Além de todos os erros em divulgar seu jejum Mayra Cardi, na sequência, tentou vender um creme para redução de gordura abdominal e ficou puxando a pele da sua barriga sem gorduras. “Mas o jejum não era espiritual?”. Acho que não.
Logo, o que Mayra Cardi faz não é marketing, é um desserviço mesmo. Foi-se o tempo em que as marcas conseguiam enganar seus consumidores e estes não tinham informação na palma de suas mãos. Logo, cabe a nós, consumidores e seguidores, com os olhos bem atentos (como diria uma influencer que amo, Senhorita Bira) questionarmos práticas duvidosas e deixar de seguir esses influenciadores tóxicos (desinfluencers), afinal, a grande moeda de troca que estes profissionais possuem são a sua audiência e engajamento.

Caro seguidor: estamos criando monstros, dando palco para pessoas despreparadas ganharem o mundo e disseminarem conteúdos que prejudicam a vida das pessoas. Antes de seguir alguém e suas dicas, sempre questionem se aquela pessoa estudou para isso e se perguntem se o conteúdo dessa pessoa pode fazer mal a outras.

Perguntem-se também: será que seguir essa pessoa faz bem para minha vida? O que essa pessoa contribui para sociedade?

Marcas e agências que trabalham para elas: parem de contratar pessoas para fazerem publis apenas pela quantidade de seus seguidores. Reflitam se essa pessoa sabe o que de fato está falando e se faz mal a sua audiência, pois seu produto pode se “queimar”. Além do mais, não adianta nada você, dona marca, se dizer preocupada com causas sociais, engajada na luta por equidade e pelo meio ambiente e apoiar esse tipo de influenciador, dando palco às pessoas despreparadas, que fazem de tudo, em nome do dinheiro.

Dona Marca e donas agências: deem oportunidade aos pequenos influenciadores, que geram conteúdo de qualidade e que realmente engajam sua audiência, que constroem suas pautas com embasamento científico, humor e vivência de verdade, difundindo de fato a diversidade e falando com propriedade sobre assuntos que enriqueçam o conhecimento de sua audiência.

Ao invés de concentrar o budget na mão de um desinfluencer e prestar um desserviço à comunidade, contrate vários pequenos influenciadores e auxilie-os a crescer e levar informação de qualidade para sua audiência, coisa que já fazem, mas que muitas vezes precisam de um “empurrãozinho” monetário, pois criar conteúdo dá trabalho e muita gente boa desiste ao longo do caminho, por falta de apoio.

E querido influencer que está começando agora: não se venda por pouco, para marcas que não tenham sinergia com a sua marca, pois depois fica muito mais difícil limpar a sua imagem, do que o “não” dito antes de fechar o job. Tenha embasamento nas coisas que diz e pense que sua audiência pode ser muito impactada por suas falas. Tenha paciência: não cresça de qualquer jeito e nem compre seguidores; pense sempre na qualidade e engajamento de suas postagens, não na quantidade de pessoas que te seguem.

Trabalhe sempre com um propósito enriquecedor, use o Golden Circle de Simon Sinek para entender como você está agregando valor com o seu conteúdo e negócio.

O que me deixa feliz e esperançosa é que há uma grande tendência de as pessoas deixarem de consumir conteúdo de pessoas que se vendem como inalcançáveis e que prestam um desserviço à sociedade, e passarem a consumir mais conteúdo de pessoas que sejam “gente como a gente”, que mostrem suas vulnerabilidades, que contribuam para o crescimento pessoal e profissional das pessoas. Fico contente, pois, para cada fala torta que Mayra Cardi dissemina, existem creators maravilhosos, como Alexandra Gurgel, Nath Finanças, Maíra Medeiros, Gabi Oliveira, Nátaly Nery, Spartakus Santiago, Manuela Xavier, Soltos S/A, Pâmela Magalhães, Pequena Lo, Diva Depressão, Matando Matheus a Grito, entre outros.

Há muita gente boa criando conteúdo nesse mundo: cabe a nós, consumidores, profissionais do marketing, agências e marcas, darmos visibilidade às pessoas certas. Consumir melhor (conteúdo) está em nossas mãos.
Por um mundo com mais criadores de conteúdo de qualidade, e menos desinfluencers.

Mariana Munis é professora de Marketing da Universidade Presbiteriana Mackenzie Campinas.

Sobre a Universidade Presbiteriana Mackenzie
A Universidade Presbiteriana Mackenzie está na 103º posição entre as melhores instituições de ensino da América Latina, segundo a pesquisa QS Quacquarelli Symonds University Rankings, uma organização internacional de pesquisa educacional, que avalia o desempenho de instituições de ensino médio, superior e pós-graduação. Possui três campi no estado de São Paulo, em Higienópolis, Alphaville e Campinas. Os cursos oferecidos pelo Mackenzie contemplam Graduação, Pós-Graduação Mestrado e Doutorado, Pós-Graduação Especialização, Extensão, EaD, Cursos In Company e Centro de Línguas Estrangeiras.
Em 2021, serão comemorados os 150 anos da instituição no Brasil. Ao longo deste período, a instituição manteve-se fiel aos valores confessionais vinculados à sua origem na Igreja Presbiteriana do Brasil.

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