Thais Nunes é destaque no jornalismo investigativo

Fazer um jornalismo sério e de credibilidade não é uma tarefa fácil, pois exige tempo, dedicação, profissionalismo, disponibilidade de recursos que influenciem na qualidade de informação e conteúdo, além de checagem de dados, fontes, personagens, dados, enfim, o jornalismo é por sua própria essência, investigativo.

Apesar das mulheres formarem a maioria da sociedade brasileira, conforme dados do IBGE ( Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) de 2017, no jornalismo, contudo, essa regra não se aplica. A participação feminina representa menos da metade do setor, porém as que atuam na área dão um banho de eficiência e mostram que jornalismo, seja ele investigativo, esportivo, político, não é uma exclusividade masculina e que lugar de mulher é onde ela quiser estar.

Prova disso é a jornalista Thais Nunes, que vem se destacando cada vez mais dentro do jornalismo investigativo. Atuando há pouco mais de seis anos como repórter no SBT, de São Paulo, Thais já cobriu e ajudou elucidar inúmeros casos, inclusive de grande repercussão nacional.

No ano passado ela recebeu o Troféu Imprensa, na categoria ‘repórter investigativa’. Prêmio esse promovido pela Revista e Portal Imprensa, cujo objetivo é difundir o trabalho das mulheres na comunicação em todo o Brasil, e é a única premiação jornalística do Brasil dedicada exclusivamente ao público feminino.

Na ocasião a jornalista falou sobre a importância da mulher na área jornalística. “Ocupem espaços, não apenas no jornalismo investigativo, mas também no jornalismo esportivo, não tem isso de que mulher não pode falar de justiça, polícia, futebol, mulher pode falar sobre tudo e o meu conselho é: não esmoreçam”. Disse.

Em seu perfil no facebook, na noite desta sexta-feira(5), a repórter do SBT escreveu sobre a elucidação de um caso envolvendo policiais militares e a execução de quatro adolescentes no ano passado.

“Três policiais militares foram indiciados por homicídio doloso. A Corregedoria da PM entendeu que eles executaram quatro adolescentes durante uma abordagem em outubro do ano passado. Os meninos tinham entre 15 e 17 anos. Foram duas semanas intensas de apuração até conseguir vídeos exibidos com exclusividade no SBT Brasil que desmentiam a versão dos policiais. Também encontrei a única testemunha – uma menina de 15 anos que fingiu estar morta para sobreviver. Foram as nossas matérias que basearam a investigação da Corregedoria. Às vezes fico cansada. Às vezes não boto muita fé, me questiono se o jornalismo acabou. Não quero ser cabotina, nem bater bumbo pra mim mesma, mas enquanto eu puder mudar um milímetro que seja através da reportagem, vou seguir em frente. Sei que vários colegas – muito melhores do que eu – pensam o mesmo. Créditos ao meu Thiago Dell’Orti que botou fé na história e embarcou nessa comigo. Máximo respeito à comunidade do Areião. Dona Geralda, obrigada pela confiança. Sem justiça não há paz. Sem jornalismo há democracia possível”, publicou a jornalista.

Além de sua atuação no SBT, Thais Nunes criou há três anos junto com outras jornalistas, o movimento “Jornalistas Contra o Assédio”, expondo o machismo que mulheres sofrem no exercício da profissão.  O movimento foi criado após a demissão de uma jornalista do portal iG que denunciou assédio sexual do cantor Biel, em São Paulo.

 “Esse é o norte da nossa campanha. Especialmente porque ela não é a única: são dezenas de relatos rotineiros que não podem ser naturalizados nem jogados no esquecimento. Especialmente porque empatia é isso: colocar-se no lugar do outro. Sigamos por esse caminho”, publicação na descrição da fanpage do movimento, no facebook.

*Publicado por Jairo Rodrigues – Colunista 

 

 

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