Como permanecer Feminina e ser uma Empreendedora respeitada?

POR: Larissa Meilick – Palestrante, Psicóloga, Mentora de Líderes Empreendedores

Há diversas mulheres inteligentes e preparadas profissionalmente e ainda assim assumem escolhas insensatas e até inconscientes dentro do mundo dos negócios. Como somos criados e educados influencia nosso comportamento empreendedor.

Fomos historicamente criadas para sermos bonitas e simpáticas e não necessariamente inteligentes e posicionadas.

Apesar de existir no poder muitos homens, isso significa um bom trabalho? Mesmo que tais tenham autoconfiança para tal posição?

Empreender exige atitude empreendedora. Isso não é questão de gênero e sim de mentalidade. É pensar a frente do seu tempo, desenvolver sua oratória, sua capacidade de comunicação persuasiva, saber fazer network continuamente e ter a postura que se torna estratégica e gera resultados, de preferência que deixem um legado e esteja em congruência com quem você é, pois traz saúde.

Demorei bastante para escrever esse texto. Foi um desafio pessoal trazer dicas que antes necessitavam ser assumidas na minha própria experiência. Muitas de nós, mulheres empresárias temos a síndrome que denomino de a Síndrome da boa moça ou e a Síndrome de impostora.

Trata-se da ideia arcaica de uma voz interior que não valida a mulher por ser mulher e somente quando tem um homem dizendo que ela é de valia. Ou ainda a ideia de que nunca se é boa o suficiente, uma culpa por ser diferente de outras mulheres, se destacar, como se esse espaço não fosse digno para uma mulher.

Por muitos anos sofri agressões verbais, psicológicas por abrir meus sentimentos e falar o que penso. Escrevo nesse momento em defesa não da mulher, e sim dos Direitos Humanos. É necessário politicas empresárias destinadas às mulheres nas questões da maternidade, no foco em competências e habilidades, programas de capacitação online e de Educação à Distância, permissão que levem os filhos nesses programas de capacitação. E ainda trazer os homens aos debates, permitir que chorem, que sejam ouvidos.

Já atendi diversos cases em meu consultório, homens e mulheres, empresários, jovens, crianças. Posso afirmar que há muitos homens que não querem ser violentos, não querem a pressão de ser o provedor o tempo inteiro, e desejam falar de seus sentimentos e tais desejos não mudam sua escolha sexual.

Algumas vezes escutei coisas do tipo “você é bonita mas vai ficar de fora porque não é empresária”, “deixa ela entrar porque ela é bonita”, “deveria ser modelo, esse mundo não é para você!”, “Melhor ficar com o ‘amor da sua vida’ e obedecê-lo ao invés de correr esse risco.”, “Estou preocupada com seu futuro nessa empresa. Aprenda a lidar com a inveja ou busque um lugar mais adequado a você”.

Como também já ouvi: “Acredite em seus sonhos, saiba quem você é, de onde você veio, e onde quer chegar”, “Ei, você é ousada! Cuidado!”, “Brilha sua luz e mesmo que te impeçam de falar, esteja presente, já fará a diferença.”, “Não tenha medo de ser quem nasceu para ser, de fazer sucesso e fracasso. Sim, o último são aprendizados e degraus no processo.”

Para cada frase acima posso te dar algumas dicas:

  1. Mantenha o bom humor. A forma como os outros te julgam diz respeito a eles. Um julgamento pode ser visto como uma confissão. Ou seja, quando Pedro fala de Paulo, sei mais sobre Pedro.
  2. Loucure-se. Sim, “faça-se de louca” em alguns momentos. As pessoas sempre vão falar, criticar, isso é para ambos os sexos. Então, seja quem você é. Quando a critica for justa, ajeite. Se for o caso, busque até apoio, desenvolvimento, tratamento. Só não se “cure” além da conta e fique “chata(o)”. Tenha uma dose de criança viva interior mesmo que amadureça e cresça.
  3. Na arte de negociar conflitos, a comunicação é muito importante. E muitas mulheres que possuem empatia podem incentivar o ganha-ganha e criar o acordo deixando o processo de negociação customizado e personalizado. Por isso fazer perguntas, obter informações e ouvir é fundamental.
  4. Desenvolva sua autoestima, autoconfiança, autoconhecimento e resiliência através de programas de mentorias, atendimentos psicológicos, processos de coaching.
  5. A habilidade de oferecer uma rede de apoio é fundamental para o crescimento da inteligência emocional e quebra de tabus. Crie esse espaço no seu contexto. Tenha pessoas livres de preconceito próximo a você e que te encorajam!
  6. Pratique a empatia. A habilidade social de colocar-se no lugar do outro. Sem julgar. Compreender. Ouvir. Observar o que não foi dito.

Há muitas vantagens que a mulher pode trazer ao permanecer na sua essência feminina, na escolha da manutenção de sua identidade, para o mundo dos negócios, e ainda assim, ser singular e subjetiva, pois varia de mulher para mulher. Descubra quem você é, quem você quer ser, e seja de propósito a sua melhor versão! Esse é o seu poder!

Instagram: @larissameilick